No início do século 20, Max Weber publicou seu influente livro A ética protestante e o espírito do capitalismo. O sociólogo alemão defendeu a tese de que a teologia e a ética calvinistas foram fatores importantes no desenvolvimento do capitalismo moderno. Embora alguns de seus argumentos sejam questionáveis, é inegável que os valores de disciplina, frugalidade e apego ao trabalho apregoados pela Reforma contribuíram para a prosperidade das nações protestantes. Ao mesmo tempo, a ética protestante se voltou contra as mazelas do chamado “capitalismo selvagem”, como a obsessão pelo lucro e o desprezo pelos direitos dos trabalhadores.

Refletindo sobre os ensinos da Bíblia acerca de temas como dinheiro, riqueza e pobreza, os reformadores também deram ênfase aos deveres de compaixão e solidariedade para com os menos afortunados, de busca incessante de uma sociedade mais justa e fraterna. São exemplos disso as constantes gestões de Calvino junto aos órgãos dirigentes de Genebra no sentido de que fossem coibidas práticas econômicas lesivas aos pobres, como a cobrança de juros extorsivos e a retenção dos estoques de alimentos para forçar a elevação artificial dos preços.

Você sabia?

Muitos anabatistas e menonitas optaram por viver em comunidades agrícolas, compartilhando igualmente todos os seus recursos.